NA BOCA DO VULCÃO

(Princípios do fim)  

Na boca do vulcão

Quarta criação da Polifônica Cia., “NA BOCA DO VULCÃO - Princípios do fim" tem estreia prevista para 2020.

Com direção e dramaturgia de Luiz Felipe Reis, a peça aborda a crise climática, ambiental e civilizacional que a humanidade produz e enfrenta no contemporâneo

O trabalho parte de indagações diversas para refletir sobre os impactos das ações humanas no planeta, sobre as atuais condições de existência e sobre possíveis modos de existir no futuro.

Com direção e dramaturgia de Luiz Felipe Reis, “Na boca do vulcão - Princípios do fim” é a nova criação da Polifônica Cia. (RJ), que tem previsão de estreia para 2020 no Sesc Av. Paulista (SP) e para 2021 no Centro Cultural Banco do Brasil. Resultado de um projeto que começou a ser desenvolvido em 2016, o trabalho aborda a tragédia ambiental brasileira, a degradação de biomas pelas forças do capital, o desequilíbrio climático e seus múltiplos efeitos locais e globais, assim como a poluição comunicacional e o obscurantismo político que desestabilizam o Brasil e o mundo.

 

A obra apresenta textos de diferentes autores, dramaturgos e poetas brasileiros que se mesclam a uma adaptação de “Fim de partida”, de Samuel Beckett. Em cena, esta polifonia dramatúrgica se articula a uma polifonia cênica, constituída de dispositivos teatrais, audiovisuais e sonoros que se articulam para investigar a crise ambiental, climática e civilizacional que a humanidade produz e enfrenta na era do capital (Capitaloceno).

 

“Na boca do vulcão” é a nova etapa de uma pesquisa desenvolvida pela Polifônica Cia. desde 2014, intitulada “Dramaturgias do Antropoceno”, e que já resultou em uma série de artigos, dramaturgias e espetáculos que investigam os “impactos humanos na Terra”: as mudanças cada vez mais intensas e aceleradas que a humanidade tem desempenhado na forma e no funcionamento da Terra. 

 

Após a criação de peças e experimentos cênicos como “Estamos indo embora...” (2015) e “Galáxias” (2018), “Na boca do vulcão” (2020) investiga, com maior ênfase, a atual crise ambiental e política brasileira, abordando fatos e crimes que resultaram em tragédias ecológicas recentes. O espetáculo também evoca a luta em defesa do meio ambiente de povos indígenas, ribeirinhos e de ícones internacionais como o seringueiro e ambientalista Chico Mendes (1944-1988), assassinado há 32 anos.

 

 

CHICO MENDES E A ATUAL TRAGÉDIA AMAZÔNICA.

 

A montagem articula, através de uma instalação documental, o marco histórico da morte de Chico Mendes com dados que evidenciam o crescimento da violência contra ambientalistas ocorrida no Brasil, um país que se tornou, desde 2002, o líder do ranking mundial de assassinatos cometidos contra defensores do meio ambiente: de acordo com os relatórios da organização britânica Global Witness, o Brasil tem média de 40 assassinatos por ano, a maioria ocorrida na Amazônia.

 

Esta situação de violência e vulnerabilidade se agrava no atual momento do país, em que marcos legais que garantem a preservação do meio ambiente vêm sendo desrespeitados por diversas atividades criminosas, como as queimadas ilegais que têm crescido sob o estímulo da impunidade, do desmonte dos instrumentos oficiais de fiscalização e do negacionismo científico que rege a política ambiental do atual governo brasileiro.

 

PESQUISA POLIFÔNICA.

 

Desde 2014 a Polifônica Cia. desenvolve uma uma contínua pesquisa estética e temática acerca dos conceitos de “Polifonia Cênica” e de “Dramaturgias do Antropoceno”. Em conjunto, estes conceitos e direcionamentos promovem uma investigação artística focada em uma das mais agudas crises do contemporâneo: o impacto que o homem pós-industrial, estimulado pelos excessos da sociedade de consumo capitalista e neoliberal, tem gerado na forma e no funcionamento do ecossistema da Terra.

 

'DRAMATURGIAS DO ANTROPOCENO'.

 

O epicentro temático dessa pesquisa, portanto, aborda o acelerado e acentuado desequilíbrio climático do planeta que, por sua vez, produz diversas consequências, como a aceleração da perda de biodiversidade (a sexta extinção em massa de espécies da História da Terra), degradação de biomas diversos, aquecimento global, poluição, acidificação e elevação do nível dos oceanos, eventos climáticos extremos como secas, ondas de calor, desertificação e outras instabilidades do clima que impactam diretamente na disponibilidade de água e de alimentos, o que torna sociedades e cidadãos em estado de vulnerabilidade ainda mais expostas a desestabilizações políticas e sociais que culminam em conflitos e guerras.

 

Os projetos da Cia. articulam, portanto, as artes cênicas ao tema do Antropoceno:

 

— Estamos vivendo o momento da História da Terra em que o homo sapiens deixa de ser apenas um mero agente biológico para se tornar, gradativamente, uma força geológica primordial, ou seja, o principal responsável pelas maiores transformações na paisagem e no funcionamento da Terra — diz Luiz Felipe Reis. — Nos últimos 50 anos, a humanidade tem alterado, numa velocidade maior do que em qualquer outra era, o equilíbrio termodinâmico, a biodiversidade, o funcionamento e a paisagem da Terra. Os projetos da Polifônica investigam, portanto, essa colisão, sem precedentes, entre a humanidade e o mundo, entre uma única espécie viva e o planeta.

 

 

“A ideia de que a nossa espécie é de aparição recente no planeta (...), e que o modo de vida industrial, baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis, iniciou-se menos de um segundo atrás, na contagem do relógio evolutivo do Homo sapiens, parece apontar para a conclusão de que a humanidade ela própria é uma catástrofe, um evento súbito e devastador na história do planeta”.

Eduardo Viveiros de Castro

 

 

“Se o teatro pretende se tornar, novamente, o teatro do mundo, ele precisa reaprender como carregar o mundo em seus ombros, e não só mundo, como tudo o que há dentro e sobre ele”.

Bruno Latour, antropólogo e filósofo

 

'POLIFONIA CÊNICA'.

"Na boca do vulcão - Princípios do fim" leva adiante a pesquisa estética da Polifônica acerca do conceito de “Polifonia Cênica”, que busca estabelecer uma relação não hierárquica entre diferentes formas de arte na constituição do fazer teatral.

 

Nesse sentido, o trabalho constrói uma experiência artística imersiva e sensorial, a partir de uma constante transfusão entre dispositivos do fazer teatral com diferentes formas de arte: a literatura, a dança, além de instalações de luz, som e vídeo. 

 

 

O espetáculo tem como objetivo, portanto, articular reflexões filosóficas com provocações sensoriais, a fim de sensibilizar o público para a gravidade das transformações que a humanidade tem desempenhado na Terra, como o desequilíbrio climático global e a sexta extinção em massa de espécies.

 

SOBRE A POLIFÔNICA

 

Fundada em 2014, a Polifônica desenvolve uma pesquisa estética e temática acerca das noções de “polifonia cênica” e de “Dramaturgias do Antropoceno”.

 

Em 2015, foi indicada ao Prêmio Shell 2015 na categoria Inovação com o experimento cênico-científico “Estamos indo embora...”, pela “multiplicidade de linguagens artísticas adotadas para abordar a ação do homem nas transformações climáticas”.

 

Em 2016, a Polifônica recebeu indicações e conquistou prêmios pela criação do projeto “Amor em dois atos”, que reuniu em uma mesma encenação duas obras do dramaturgo francês Pascal Rambert, “O começo do a.” e “Encerramento do amor”.

 

Em 2018, apresentou o seu novo trabalho, “GALÁXIAS”, que articula textos de Luiz Felipe Reis com fragmentos da obra literária do escritor argentino, J. P. Zooey.

 

Em 2020, a Polifônica apresenta o seu novo espetáculo, “Na boca do vulcão – Princípios do fim”.

 

EQUIPE DE CRIAÇÃO.

Direção e dramaturgia: Luiz Felipe Reis

Textos: André Sant'Anna, Alberto Pucheu, Luiz Felipe Leprevost, Luiz Felipe Reis, Tatiana Nascimento

Atuação: Ranieri Gonzalez, Inez Viana, Julia Lund, Thiago Catarino e Ciro Sales

Assistente de direção: Luisa Espíndula

Cenário: Antônio Pedro Coutinho (Estúdio Chão)

Luz: Alessandro Boschini

Projeções: Julio Parente

Instalação documental: Clara Cavour

Figurino: Antonio Guedes

Criação sonora e trilha: Luiz Felipe Reis, Pedro Sodré e Thiago Vivas

Design gráfico: Clarisse Sá Earp (uma studio)

 

Idealização e coprodução: Polifônica Cia.

Coprodução: Pitoresca Produções Artísticas
Direção de produção: Sérgio Saboya

Realização: Sesc São Paulo, Polifônica Cia.   

 

 

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